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cultura japonesa culinária

A cultura japonesa e o melhor jeito de levar bife na marmita

Uma das coisas mais legais de se fazer aula particular de idiomas é poder conversar sobre o que você quiser com o seu professor. No meu caso, faço aula de japonês por Skype e, recentemente, conversando sobre um dos posts da Rebecca, acabei percebendo uma coisa bem interessante sobre a cultura japonesa na hora de preparar a comida.

Eu estava contando para minha sensei a respeito do post da Rebecca sobre a faca de chef. Ao tentar explicar o tema do post, usei a palavra ナイフ(naifu – do inglês knife), que significa faca. A sensei então me perguntou se eu falava da faca que usamos para comer ou da faca de cozinha. Disse que era a de cozinha. Então ela me disse que, apesar de existir a palavra ナイフ, neste caso, o correto era 包丁(hōchō), pois se tratava de uma faca de cozinha.

Pensando sobre o assunto, percebi que, sendo ナイフ uma palavra de origem estrangeira (外来語 – gairaigo), e 包丁 uma palavra originada no japonês, fica claro que as facas de cozinha surgiram muito tempo antes do que as facas talheres. “Mas é claro”, você diz. “Japonês come usando aqueles pauzinhos, os hashi”. Sim, é verdade! E é aí que mora um segredo milenar japonês: eles não usam garfo e faca porque não sabem/não conhecem. Eles não usam porque não precisam!

Quando a gente para pra prestar atenção, percebe que toda refeição japonesa é montada em bocados – em quantidades certas para serem levadas à boca, sem necessidade de cortar nada (nesse caso, a gente pode incluir até os diversos tipos de macarrão, já que também podem ser comidos sem o uso de uma faca). Isso, além de prático, permite que a gente gaste mais tempo saboreando a comida.

É claro que a nossa culinária (e a de grande parte do resto do mundo) não funciona seguindo essa lógica do hashi. A nossa culinária exige garfo e faca para misturar, empurrar, ajeitar no garfo, enrolar o macarrão… Mas isso não significa que a gente não possa aproveitar um pouco dessa filosofia oriental na hora de preparar a nossa marmita, não?

bife para marmita

É por isso que, aqui em casa, toda vez que preparamos bife, frango ou qualquer tipo de carne, fazemos questão de cortar em tiras ou cubos na hora de preparar. Assim, além de mais prático na hora de comer, a carne esquenta melhor (já que são vários pedaços com áreas parecidas, em vez de um grande pedaço, onde as bordas e o meio esquentam de forma desigual) e facilita na hora de separar as porções (e ninguém fica brigando para pegar o bife maior)!

PS: Sei que nos bentôs que vendem na Liberdade e em diversos lugares de São Paulo é comum encontrar um bife à milanesa inteiro. Mas não usem os bentôs nacionais como parâmetro. Para provar o que eu digo, dêem olhada nessas duas pesquisas por imagem no google. A primeira é お弁当のおかず 肉 (carne de mistura do bentô) https://goo.gl/I6bbn2, e a outra é コンビニのお弁当 (bentô de mercadinho) https://goo.gl/UTg7cM.

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comments

  • Lais

    Que post gostoso de ler =)
    Fico tão feliz quando conheço alguém que entende um pouco de comida e junta uma cultura útil a este assunto! Não digo exatamente à cultura japonesa, até porque eu sou menos japonesa do que a Xuxa né.
    Eu uso a técnica de não fazer pedações gigantescos na marmita porque uso potes pequenos (a.k.a. minúsculos) para a comida então por uma questão de “ajeitamento” e facilidade faço milhares de versões de mexidinhos, cozidinhos e outros inhos que ficam uma delícia.
    Comer me deixa feliz, e ter amigues que comem tão bem também, me faz mais feliz ainda =D
    Sucesso aos dois (saudades de vcs, BTW)!

  • Liliane

    Excelente post!
    Adorei a ideia de fazer tudo já picadinho e aproveitar melhor o sabor da comida!!!
    Grande abraço

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